segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desabafo de abertura

Desde pequeno ouço os mais velhos falando a respeito da ditadura militar. Cantores, parentes, conhecidos e desconhecidos que viveram naquele tempo são pegos de surpresa, com um discurso decorativo de horário político, a cada 2 anos em nosso País. Discursos estes que engradecem e corrompem o período que o mundo todo, em certo momento de sua história, presenciou: A ditadura militar. Esse não é um texto de esquerda, muito menos de direita. Esse texto expõe algo que vinha entalado em minha garganta a muito tempo. Entalado é pouco, pois quando se está entalado pode-se desentalar e tudo voltará ao normal, esse sentimento não… será repassado, como vem sendo, durante várias outras gerações. Gerações estas que pensam que política é o meio mais fácil de se conseguir prazeres individuais, já se foi o tempo em que o brasileiro buscava a política para o coletivo, não dizendo que não existe político que tem o intúito de fazer política e não politicagem, que ao meu ver são termos diferentes que tratam do mesmo assunto. Político é o sujeito que está à frente de uma situação onde um representa vários com o simples dever de buscar o melhor para todos. Politicagem, ao meu ver, é o ato praticado não só por políticos, mas também por todos aqueles que representam uma certa massa, um ato que nem sempre é lícito e que o foco do coletivo fica longe. Já se foi o tempo em que o brasileiro discutia política tentando visualizar uma melhora para todos, uma discursão de buteco, uma conversa amistosa a respeito do tema que nos cerca e nos cercará durante toda a vida. Ficar a espreita, observar o que os governantes fazem, cobrar mais transparencia… que nada, não estamos na ditadura está tudo na mais perfeita ordem. “Na ditadura sim eram tempos difíceis.” Palavras usadas constantemente por todos aqueles que parecem ter tatuado esse período em seu cérebro e arrancá-lo é mais difícil do que parece. “Vamos nos rebelar pessoal, o que estamos fazendo aqui parados?” é o discurso do jovem que, em frente ao seu computador combate, dá palavras de apoio a todos os que estão lutando contra um regime opressor, mas se levantar e ir à luta? Não, não…pra que eu vou lutar se estou sendo beneficiado, ainda que indiretamente, por um sistema que pouco me encomoda. “No tempo da ditadura sim” isso me encomodaria, mas hoje?... Jovens que deveriam estar tomando as dores daqueles que estão nas filas de hospitais morrendo porque a verba está sendo desviada por algum corrupto, que num passado não tão distante, lutou contra os que também faziam. Alguem que foi às ruas para tirar do poder aqueles que usurpavam todo o senso governamentista da época… Músicas que foram cantadas em marchas pela liberdade, hoje são hinos daqueles que, ao invés do que pregam, procuram se infiltrar nesse sistema que a cada dia vai se deteriorando, com uma ferrugem alimentada pela única solução que poderia pará-la, a juventude. Uma juventude velha, apática e sem força… quieta como bebês, que se ousam berrar basta um grito mais alto que o dele para calá-lo novamente. Assim somos tratados atualmente, isso mesmo como bebês. Isso é como os governantes nos querem, num berço, apenas observando o que acontece pois se tentamos nos rebelar vem uma velha força destreinada pela própria ganancia, a polícia. Deixaremos a polícia para ser tratada em um texto a parte, já que também acho que esse tema deve ser abordado com maior profundidade. Este texto não é profundo… isso é apenas um desabafo. Muitos podem se perguntar, “afinal o que esse cara escrevendo esse texto faz por  nós?”... “só o vejo nos criticando”, diram aqueles que sentem a verdade corroer sua moral erguida como num palco de teatro, com máscaras e pinturas. Não sou dos mais destemidos que vou para as ruas só, enquanto vários de vocês apenas olham para mim pensando que seus pensamentos positivos irão ajudar na causa. Enganam-se aqueles que pensam que o jogo vai mudar sem se levantar da cadeira. Sem berro, apenas no aperto de mão daqueles que fazem politicagem… Enquanto você aceita de bico calado aquele discurso imoral de “Eu não sabia de nada.” “Eu confio plenamente nele.” Entre tantas outras desculpas que são utilizadas por governantes que se dizem de esquerda e que são mais capitalistas do que os próprios. Têm a selvageria no sangue e quando questionados sempre têm a mesma desculpa, “Eu lutei por um País melhor na ditadura, eu fiz isso.. fiz aquilo… E a oposição agora tenta me derrubar…” Caros políticos, sinto pena de olhar uma das maiores bancadas políticas do mundo sendo uma das mais ineficientes… Os governantes com um dos melhores salários dentre todos os países para fazerem absolutamente nada… E os que tentam, que sei que existem (assim creio) são barrados por essa tsunami de imoralidade e ignorancia dos corruptos. A bancada brasileira me parece uma selva onde o leão apenas observa e a briga pela coroa fica entre o tucano e a lula. Já nós, as antas, apenas observamos para ver quem vai ficar na pior se nós ou nós mesmos.

Um comentário:

  1. massa Humberto, a mais pura e triste verdade...
    outra coisa que também me deixa bastante encabulada é o súbito nacionalismo adquirido quando a copa se aproxima--'

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