O consumo generalizado e desregulado do mundo globalizado faz com que nós, engrenagens do sistema, façamos parte, até sem saber, de um grupo de financiadores de grande escala. O lucro dessa empresa é a nossa satisfação e por isso pagamos cada dia mais caro por coisas banais. Quanto vale o anel de diamante que você sonha em comprar para presentear alguem ou para você usar? O que está por trás daquele belo colar de pedras preciosas exposta na loja mais cara do maior shopping da cidade? O que está por trás dos preços baixos dos produtos tecnológicos ao redor do mundo (não tocando no assunto carga de impostos)? São perguntas que não nos interessa porque o que queremos é comprar. Que se dane se os povos africanos se matem sistematicamente por causa dos diamantes, que morram os cidadãos chineses que são tratados, em pleno século XXI, como escravos para que nós, financiadores, fiquemos confortáveis. Pagar mais barato é o que interessa. Tem certeza que você ainda quer mudar o mundo? Que tal começar por você. Parece até um clichê essa frase, mas é a mais pura verdade. Lembre-se que tudo tem seu preço e sua tragetória, pense nisso antes de sair consumindo. Afinal, amanhã os papeis podem se inverter.
Permita-me descordar Humberto. Mas tudo se resume à simples e mera política. Não necessariamente chineses são tratados como escravos, o caso é que a jornada de trabalho oriental é totalmente diferente daqui da terra do futebol. É por isso que a China toda se dá ao luxo de parar por 1 mês inteiro no fim de ano - por que os prazos foram cumpridos, as metas foram batidas. Tudo isso, além de política é cultural. Na África há a exploração de diamantes, talvez pessoas realmente se matem por isso por lá, mas é o que se tem. É o princípio do reflexo condicionado. O mesmo acontece aqui no Brasil e seu nordeste, onde o povo se mata de trabalhar e ganhar pouco mas não há outra alternativa. A mudança efetiva, querendo ou não, tem de vir de cima. O governo deve dar incentivos para as iniciativas mas isso não é bom para o governo. Para a politicagem, as deficiências são as armas para utilizar pessoas como massa de manobra.
ResponderExcluirSe, no Brasil por exemplo, o nordeste fosse rentável, sustentável, sadio - qual seria o argumento da campanha do demagogo? E o que fariam os africanos se ninguém mais comprasse diamantes? E o que fariam os chineses se ninguém mais comprasse novos celulares? O impacto gerado em toda a economia global ia ser imenso. Até que esses países apostassem em uma outra alternativa, quantas pessoas não passariam por sérios problemas?
Enfim, entendi sim sua idéia no post (muito bom e bem escrito como sempre!), só fiz o comentário porque acredito que toda questão envolve todo um mundo de variáveis a serem consideradas.
Concordo em parte com o que você disse.. Mas meu questionamento não foi parar de comprar as coisas e sim ter consciência do impacto que aquele pequeno ato, o de comprar, pode gerar em visão macro. No entanto, com a mudança do pensamento de nós, consumidores, de um jeito ou de outro a economia se adaptaria a nós. Afinal é esse o papel da economia, se adaptar ao mercado. Contudo, concordo com você quando você toca no assunto político, que, por mais infeliz que seja, é a resposta para tanta infelicidade gerada e generalizada por todo o canto.
ResponderExcluirObrigado pelos elogios e pelo seu comentário.
Expor os pontos de vista é algo de grande relevância quando pretendemos mudar algo. Existem os que concordam e os que discordam. Conseguir conversar, como é proposto aqui, é algo que admiro muito.